6. GERAL 15.8.12

1. GENTE
2. SOCIEDADE - RICOS, MILIONRIOS, BILIONRIOS
3. SOCIEDADE  MEU CARRO  AMARELO

1. GENTE
JULIANA LINHARES. Com MARLIA LEONI

NO ESQUEAM DE MIM
Lindos, clebres e desimpedidos, os atores ASHTON KUTCHER e MILA KUNIS tiveram de assumir bem suavemente a relao  mas como esto assumidos! O problema de ambos so os ex. O fim do casamento com Kutcher foi notoriamente devastador para DEMI MOORE. Ela beirou a anorexia, baixou no hospital, passou por uma clnica de recuperao e enfrentou at a rejeio das trs filhas. Felizmente, parece que melhorou e foi flagrada, h pouco tempo, com ar saudvel e um namoradinho novo, o neozelands MARTIN HENDERSON. Mais complicada  a situao de MACAULAY CULKIN, com quem Mila teve um relacionamento de oito anos. Descarnado e recluso, sem nada remotamente comparvel ao sucesso infantil de Esqueceram de Mim, apareceu na festa de casamento da atriz Natalie Portman com cara de quem ia ter uma crise daquelas provocadas por abuso de substncias.

MAME SABE TUDO
Todos desejam que ela continue na ativa para sempre, mas, se decidisse se aposentar como modelo, GISELE BNDCHEN j teria uma segunda ocupao: inspetora de maternidade alheia. Quando teve o pequeno BENJAMIN (de branco), em 2009, defendeu uma lei mundial obrigando as mes a amamentar at os seis meses. Agora, grvida de cinco meses do segundo filho com o jogador TOM BRADY, defende o parto em casa. A enfermeira da primeira vez (na banheira) escreve apaixonadamente sobre o tema no blog que a modelo mantm. Segundo Mayra Calvetti, o parto natural, sem anestesia,  mais seguro e carrega os hormnios do amor. Em hospital, com anestesia ou cesrea, vira uma Matrix obsttrica.

ELA QUER SALVAR O MUNDO
Como poltica, o prestgio de SARAH PALIN desabou: tem apenas 6% das preferncias na lista dos candidatos em potencial a vice-presidente na chapa do republicano Mitt Romney  a falta de preparo revelada na ltima eleio, quando fez dobradinha com John McCain, foi arrasadora. Mas a Amrica profunda continua a amar Sarah, ainda mais quando ela aparece como na foto acima, num comcio de uma correligionria nos cafunds do Kansas, com sandlias feitas para pisotear as fantasias masculinas e camiseta de Super-Homem (na verdade, da campanha da candidata que apoia). Pela circunferncia dos quadris, ela deve estar  base de ch de criptonita.

CARREGANDO A CRUZ DA BELEZA
Ser a irm mais nova de Penlope Cruz, a esplendorosa atriz espanhola, tem algumas vantagens.  A mais bvia  herdar os mesmos genes. MNICA CRUZ, 35, tambm tem olhos amendoados, biquinho provocante, corpo sinuoso e sensualidade de bailarina de flamenco  as duas irms estudaram a tradicional dana.  Outra  fazer pontas como dubl de corpo nos filmes e campanhas como  a de lingerie, abaixo, que a irm famosa hoje dispensa. Na primeira gravidez de Penlope, em 2010, ela a substituiu em cenas de Piratas do caribe. Mnica largou o tablado em 2002 e desde ento testa se o mundo tem lugar para mais uma Cruz. Ser?


2. SOCIEDADE - RICOS, MILIONRIOS, BILIONRIOS
Com uma renda cada vez mais concentrada, os Estados Unidos apresentam um enigma: como e por que os americanos, apesar do dinheiro mal distribudo, ainda so os gnios da inventividade econmica?
ANDR PETRY, DE NOVA YORK

     Quando saiu o primeiro clculo sobre a distribuio da renda nos Estados Unidos, em 1915, a reao foi de espanto; Descobriu-se que os americanos que faziam parte do clube do 1% mais rico do pas ficavam com 18% da renda nacional. As famlias cujos sobrenomes viraram sinnimo de riqueza  Rockefeller, Carnegie, Vanderbilt, Morgan  moravam em manses espetaculares e faziam festas monrquicas, mas ningum imaginava que era to alta a fatia da renda que elas detinham  18%! Depois disso, houve uma guerra mundial, a depresso que devastou patrimnios e vidas, outra guerra mundial, e os Estados Unidos cruzaram as dcadas de 50, 60 e 70 com uma distribuio de renda muito mais igualitria. O pas virou o paraso terrestre da classe mdia e mesmerizou o mundo com o apelo do american way of life. De l para c, houve a Guerra Fria, o desmonte da desigualdade racial nos estados do Sul, o colapso sovitico, e os Estados Unidos voltaram ao incio: hoje, o 1% mais rico detm uma fatia muito semelhante aos 18% da renda nacional  18%!
     Em outras palavras, os americanos vivem um processo de concentrao de renda semelhante ao de quase um sculo atrs. De 1979 a 2007, a renda do 1% mais rico aumentou 275%. A parcela que esses milionrios detm da renda nacional oscila dramaticamente ao sabor das crises, registrando quedas espetaculares, mas a compensao vem logo que as nuvens mais carregadas somem do horizonte. Na crise financeira de 2008, o clube do 1% detinha mais de 23% da renda nacional. Estima-se que a fatia tenha cado para menos de 18%. Mas, como sempre acontece no ps-crise, os ricos so os primeiros a se recuperar e logo se restabelece o nvel de desigualdade anterior. Em 2010, a renda americana voltou a crescer e os ricos, como de praxe, abocanharam a parte do leo. Nada menos de 93% dos ganhos foram para o bolso do 1% mais rico. Os 99% ficaram com apenas 7% dos ganhos (veja o quadro na pg. 109). 
     Para entrar no clube do 1% mais rico nos Estados Unidos  preciso ter renda anual de, pelo menos, 350.000 dlares. D quase 60.000 reais por ms. Na economia americana, no  uma cifra inatingvel, nem  preciso ser desembargador no Amazonas para chegar l. Mas dentro do clube do 1% h nichos mais seletos. Os mais ricos entre os mais ricos. H 400 famlias que, juntas, financeiramente valem o mesmo que 150 milhes de americanos de classes mais baixas. Os milionrios e bilionrios de hoje no so parasitas, nem vivem de juros.  uma elite que trabalha, define o economista Emmanuel Saez, um dos mais respeitados estudiosos da distribuio da renda americana. Entre eles, sete de cada dez possuem diploma universitrio e metade tem mestrado. Tendem a se casar entre si, geralmente tm filhos e no gostam de falar publicamente de sua riqueza porque temem a hostilidade dos militantes do movimento Occupy Wall Street e a sanha dos fiscais da Receita Federal. Boa parte deles vive em Manhattan, o distrito com a terceira maior taxa de desigualdade de renda do pas. O 1%  muito envolvido com poltica,  levemente mais republicano do que democrata e est mais preocupado com o dficit fiscal do que com o desemprego, exatamente o inverso das preocupaes dos 99%. No incio do sculo XX, os milionrios eram bares da indstria. Hoje, so estrelas do esporte e do entretenimento ou fazem parte da camada que mais se beneficiou dos bnus e outros ganhos gigantescos nas ltimas trs dcadas  os CEOs, executivos que atingiram o posto corporativo mais alto.
     De meados da dcada de 80 para c, a remunerao desses executivos teve uma valorizao estupenda. A Johnson & Johnson, por exemplo, pagava 2,2 milhes de dlares por ano a um alto executivo. Chegou a pagar 18 milhes. Os gestores da Occidental Petroleum, gigante da rea de energia com sede na Califrnia, embolsavam cerca de 2,4 milhes de dlares por ano. Hoje, recebem 20 milhes.  mais de 700% de aumento. De cada dez americanos muito ricos, trs so executivos. As estrelas do mundo financeiro so menos numerosas, mas vm ganhando tanto ou mais, mesmo depois da crise financeira de 2008. J respondem por 14% dos membros do clube dos podres de ricos.
     Os economistas dizem que um conjunto de fatores resultou na crescente concentrao de renda: a desregulamentao do setor financeiro, o advento de tecnologias que empregam pouca gente muito bem paga, a globalizao que oferece mo de obra barata pelo mundo e a reduo de impostos sobre a renda dos ricos. Em 1970, o imposto sobre ganhos de capital, uma das principais fontes de renda dos muito ricos, era de 40%. Hoje  de 15%. Estudos mais minuciosos, no entanto, mostram que, at os anos 70, trs vetores ajudavam a equalizar a renda dos americanos nas dcadas anteriores: sindicatos fortes, comrcio exterior fraco e virtual desaparecimento da imigrao. Da dcada de 70 para c, os sindicatos foram ficando cada vez mais fracos e menos representativos, o comrcio exterior explodiu e a imigrao para os Estados Unidos voltou a aumentar. Deflagrou-se, assim, a espiral da desigualdade de renda.
     Todos os economistas concordam que a excessiva desigualdade de renda  ruim. Alm de ser socialmente corrosiva, a concentrao de renda, na forma de monoplios ou tratamento tributrio privilegiado, acaba provocando distores em cadeia no mercado, tornando-o menos eficiente. Um exemplo est no enorme contingente de jovens talentosos que saiu da universidade para se concentrar no mercado financeiro.
     O enigma do pargrafo anterior est na expresso excessiva desigualdade de renda. Os economistas concordam que a concentrao excessiva  prejudicial, mas ningum sabe o que  excessivo e o que no . Os ricos podem ganhar at trinta, cinquenta ou 100 vezes mais? Ser que evitar que ganhem mais, a golpes de impostos punitivos, no mata a galinha dos ovos de ouro? No reprime os investimentos, o risco, a criatividade? Os cientistas polticos Jacob Hacker e Paul Pierson escreveram um livro em que constatam que os Estados Unidos esto deixando de ser uma democracia afluente que compartilha a expanso econmica para ficar mais parecidos com oligarquias capitalistas, como Brasil, Mxico e Rssia. O dilema  que os Estados Unidos, mesmo sendo a economia mais desigual entre os pases ricos, ainda ocupam o peloto de frente da inventividade econmica. So americanas as empresas mais inovadoras do nosso tempo  Google, Facebook, Apple. Por que essas empresas no nasceram em economias mais igualitrias? Os americanos esto ao mesmo tempo revolucionando a economia e mantendo uma nova classe de super-ricos. Isso, de certa forma,  um grande enigma. As virtudes de uma economia dinmica deveria ser o bastante para corrigir a desigualdade extrema.
     Esse enigma levou alguns estudiosos a desenvolver a tese segundo a qual a desigualdade de renda pode at ser positiva. Para cada dlar que algum investe, a sociedade receberia um estmulo de 5 dlares, sustentam aqueles estudiosos. Portanto, ao aplicarem o grosso do prprio dinheiro em investimentos, os super-ricos azeitam uma engrenagem em que todos saem ganhando. A tecnologia agrcola foi desenvolvida ao cabo de bilhes de investimentos de milionrios. O resultado  que os preos dos alimentos vm caindo h meio sculo, para benefcio da humanidade. Quem investiu na tecnologia da informao ganhou bilhes. O resto do mundo se beneficiou com a multiplicao dos computadores e a democratizao do acesso  informao. Os investidores arriscam fortunas em ideias que podem (ou no) funcionar porque esperam ganhos fenomenais. Ao fazerem isso, incentivam a inovao. Para que a distribuio desigual da renda no seja um cncer, h alguns requisitos: os ricos precisam investir boa parte de sua fortuna na produo de ideias  e, claro, o dinheiro no pode comprar privilgios nos tribunais e no mundo poltico. 

45%, 65%....93%
O grupo integrado por 1% dos americanos mais ricos tem ficado com uma parcela cada vez maior da riqueza proporcionada pelo crescimento da economia.

Parcela da riqueza gerada que ficou com 1% mais rico - 99% restantes.

1993-2000
Crescimento real mdio da renda no perodo  31,5%
1% mais rico:  45%
99% restantes: 55%

2002-2007
Crescimento real mdio da renda no perodo  16,1%
1% mais rico:  65%
99% restantes: 35%

2009-2010
Crescimento real mdio da renda no perodo  2,3%
1% mais rico:  93%
99% restantes: 7%

Fonte: Emmanuel Saez, 2012

DESCONFIANDO DOS RICOS
De 23 pases pesquisados, em apenas seis a maioria da populao concorda muito ou concorda em parte que os ricos merecem a riqueza que tm.

OS SEIS PASES
Austrlia 61%
Canad 58%
EUA 58%
Indonsia 54%
China 52%
ndia 51%

Inglaterra 45%
Qunia 44%
BRASIL 43%
Gana 43%
Coreia do Sul 42%
Paquisto 41%
Mxico 40%
Nigria 39%
Alemanha 35%
Argentina 32%
Frana 31%
Chile 30%
Peru 29%
Espanha 20%
Turquia 20%
Rssia 16%
Grcia 9%


3. SOCIEDADE  MEU CARRO  AMARELO
O Camaro voltou  moda.  Quem o compra quer velocidade, estilo e, claro, desfilar com ele.  Alguns tambm no resistem  msica sertaneja, uma ode  capacidade do carro de atrair atenes femininas.
MARLIA LEONI

      uma mquina grande, exibida e, como certas mulheres, recauchutada. Mas h brasileiros dispostos a fazer loucuras por ela, inclusive pagar trs vezes o preo que custa na linha de produo original, sentir em dobro as falhas nacionais de pavimentao e alimentar a coitadinha com gasolina ruim, por falta de opo. Em troca, recebem a sensao de andar numa espcie de arqutipo de todos os carres e a certeza incontestvel de que no passaro despercebidos. Agora eu fiquei doce, doce, doce, igual caramelo; Estou tirando onda de Camaro amarelo, celebra a dupla sertaneja Munhoz & Mariano no j clssico do gnero Camaro Amarelo. Quem ainda no ouviu esse refro  porque passou os ltimos meses sem ir a casamentos, formaturas e churrascos em geral. O hino ao carro ressuscitado pela GM conta a trajetria de um rapaz pobreto ignorado quando andava de moto simplesinha e transformado pela herana do vio que lhe permitiu comprar a mquina, deixando-o doce, doce, doce, igual caramelo aos olhos da mulher que o desprezava. Para no mencionar todas as outras. T na grife, t bonito, t andando igual patro, canta a dupla.
     O Camaro foi um cone dos carros esportivos americanos nos anos 1960, que eram uma espcie de verso democratizada dos carssimos modelos europeus. Em 2002, envelhecido e rejeitado, saiu de linha. Para relan-lo, a GM investiu na modernizao do desenho e no marketing, em especial nos filmes da srie Transformers, em que contracena com beldades vividas por Megan Fox e Rosie Huntington-Whiteley. No Brasil do dlar ainda barato, do aumento de renda e da nostalgia por carres, em dois anos o Camaro se tornou o campeo de vendas entre os esportivos importados ( frente da BMW X6 e do Ford Mustang). So Paulo, por motivos bvios,  a cidade onde mais circulam Camaros, seguida de Curitiba e de Sorocaba. Nas trs, o sucesso responsvel por 34% das vendas  o modelo amarelo, enfeitado com faixas pretas no cap. Curitiba tem tradio na compra de carros esportivos. Temos um autdromo que  um dos mais importantes do pas, e onde  permitido correr com os nossos prprios carros, diz Mario Veigas, diretor de uma rede de concessionrias na cidade. Em Sorocaba, no interior paulista, coabitam o maior centro de distribuio da GM na Amrica Latina, o quinto maior PIB do estado de So Paulo e uma loucura por carros, origem de uma frota superior  soma dos estados do Amap e de Roraima. Um comprou, o outro viu, comprou tambm, e assim foi. Cidade do interior  assim, diz Rogrio Corra, gerente de concessionrias em Sorocaba, sobre a exploso local de Camaros amarelos.
     O empresrio local Marco Aurlio Martim enfrentou uma certa resistncia conjugal por causa das atenes que o Camaro recm-adquirido desperta, acompanhadas das onipresentes fotos por celular. Exatamente o motivo que alimenta a paixo dele. Combino com os outros amigos que tm Camaro na cidade e, nos fins de semana, vamos todos juntos a algum restaurante, descreve Martim. Elizeu Camargo, que faz parte dos camarianos sorocabanos  Amarelo, claro, porque chama mais ateno , gosta de encher o carro de crianas e ficar dando voltas no condomnio onde mora. Meu filho s quer chegar s festinhas de Camaro, diz.
     Homens bem de vida na faixa dos 40 anos formam o cerne do pblico que no resiste a um carro com cara de bravo e capacidade de ir de zero a 100 quilmetros por hora em 4,8 segundos (contra 13,9 do Meriva 1.4, da mesma montadora). Quem desrespeita a lei e continua acelerando pode chegar a 250 quilmetros por hora. Nos Estados Unidos, o Camaro custa 37.500 dlares, turbinados para 201.000 reais no Brasil, depois de todos os custos de importao.  de arrepiar, mas seu rival histrico, o Mustang, sai por cerca de 300.000. Problemas:  grande  tem 2,09 metros de frente  e incompatvel com a buraqueira da cidade. Tem pssima visibilidade traseira e, por ser muito potente, exige do motorista habilidades  altura da fora do motor, enumera Ulisses Cavalcante, especialista da revista QUATRO RODAS. Mas tem o barulho, o estilo e, claro, a msica. Por causa dela, hoje Munhoz e Mariano fazem 25 shows por ms e adquiriram seu prprio exemplar. O problema  que, com tanto show, s conseguimos andar nele uma vez, diz Munhoz. Efeito Camaro Amarelo. 

